Na semana em que se comemora o aniversário de emancipação político-administrativa da cidade de Navegantes, O Nosso Jornal publica uma entrevista exclusiva com o presidente da Associação Empresarial (Acin), Libardoni Fronza. O empresário discorreu sobre economia e deu sugestões para o município desenvolver, além de explanar sobre os objetivos e ações da entidade que representa. A entrevista precisou ser condensada para viabilizar a publicação e facilitar o entendimento.

O Nosso Jornal – Vivemos um momento de intensa crise econômica, como o empresário faz para se reinventar, para fugir deste momento adverso?

Libardoni Fronza – Então, vamos falar como empresário, nos momentos de crise nos piores momentos das maiores dificuldades, eu acho que a gente tem que se reinventar, mas o reinventar muitas vezes as pessoas buscam alguma coisa fora da realidade, na minha opinião o reinventar é voltar às origens e fazer o básico, bem feito. Daí você consegue realmente dar uma estrutura novamente para a sua empresa.

ONJ – Como fazer isto?

LF – O que é o básico bem feito? Se tu é um empresário, um comerciante, atender bem seu cliente e oferecer bons produtos, bons serviços, cuidar de sua empresa, pintar, organizar ela, fazer o simples. Eu acho que isso muda toda a história, aí fortalece. Não é o momento de fazer grandes investimentos, em coisas que tu não conhece ainda, tecnologias novas, situações novas que trazem um risco muito grande. Então vai para o básico e faz um trabalho bem feito.

ONJ – Como a Acin pode auxiliar nisto?

LF – – Como associação, eu acredito que exatamente isto que nós temos que fazer, oferecer cursos, treinamentos e palestras tanto para o colaborador quanto para o empresário, porque chega um  momento da crise que o empresário também perde muitas vezes o rumo da história, ele passa por dificuldades que parecem tão grandes no momento que ele está dentro daquela crise, daquela dificuldade, que se um empresário de fora, uma associação, um companheiro de negócio olha e traz as ideias para ele, mostra que a dificuldade não é tão grande assim, isso motiva a pessoa e traz ela novamente para o caminho.

ONJ – A toca de informações, a vivência é importante?

LF – A Acin, como associativismo, ela tem muito esta questão ligada com o networking [palavra em inglês que indica a capacidade de estabelecer uma rede de contatos ou uma conexão com algo ou com alguém] que é a troca de informações entre todos os associados, que isso ajuda bastante, independente se são do mesmo segmento ou não. E também a questão de treinamentos e cursos para que isso possa ajudar a fortalecer a empresa.

ONJ – A Acin tem os núcleos setoriais que reúnem empresas de um mesmo segmento, esta troca de experiência é importante?

LF – Eu acho que os núcleos setoriais são bem específicos, então você vai tratar dos assuntos pertinentes dentro daquele núcleo e isto fortalece, ajuda, mas eu acredito que a multissetorialidade, ela vai te ajudar a abrir mais o teu leque, porque são experiências novas, modelos de negócios novos que vai mostrar quantas oportunidades você tem lá na frente, então são dois modelos. O que a Acin faz? Além dos núcleos setoriais, nossas reuniões vêm com temas com relação a treinamentos, a capacitação, a momento do mercado atual, das situações que vivem no dia a dia, mas no final das reuniões nós abrimos um espaço, isso é algo que começou agora.

ONJ – Como são as reuniões?

LF – Nossa reunião começa às 19 horas, com horário de termino previsto para as 20 horas, mas a gente deixa bem claro, as 20h termina a nossa reunião formal e das 20 horas até as 21 horas deixamos aberto para ficar essa troca de informação, esse bate-papo informal, pois é disso que a gente precisa. É a conexão entre as empresas, o conhecimento dentro das empresas, então isso tem ajudado bastante.

ONJ – Há cursos neste sentido?

LF – Ano passado a Acin começou e terminou esse ano, o Plano de Gestão e Vivência Empresarial – se chama PGVE, foram feitos oito módulos com professores da FGV e eles trouxeram muita experiência para cá, fora a troca de informações entre as pessoas que participaram desse programa, houve os professores que vieram da Fundação Getúlio Vargas, trazendo todo o seu conhecimento e bagagem em vários setores da empresa, por exemplo, falaram sobre situação financeira, gestão de pessoas, marketing, produção industrial, eles trouxeram vários modelos e também cada módulo deste trazia um palestrante convidado, fora o professor, um empresário que tinha um case de sucesso na região.

ONJ – Quem participou apresentando cases?

LF – – Conseguimos trazer, por exemplo, o presidente da Cooper, que revolucionou o mercado de varejo em Blumenau, o presidente da Ceramfix [empresa que produz argamassas e rejuntes] um dos diretores da Linha Círculo, foram vários, então eles trouxeram a experiência deles para dentro do nosso negócio e é isto que faz com que a Acin tenha muito a contribuir com o crescimento empresarial de Navegantes.

ONJ – Fora o que foi falado, a Acin tem convênios, por exemplo, na área jurídica, poderia falar um pouco mais sobre?

LF – A Acin tem alguns convênios com algumas empresas, alguns escritórios e nós trazemos benefícios para os nossos associados e assessoria jurídica está dentro deste pacote, como temos também assessoria para medicina do trabalho, convênios com alguns planos de saúde, enfim, oferecemos orientação em diversas áreas para os nossos associados.

ONJ – O empresariado depende das várias esferas do poder, o que o governo Federal pode fazer pelo empresário?

LF – A reforma tributária seria neste momento, a melhor contribuição que o governo Federal poderia dar para o empresário de um modo geral. Vindo aqui para a nossa região, para a nossa cidade, eu acredito que o presidente Jair Bolsonaro contribuiu bastante com essa questão do aeroporto e também nos ajudou bastante e nós esperamos do governo a conclusão da BR-470 que é uma situação que atrasa, prejudica muito o desenvolvimento de Navegantes.

 

ONJ – Semana passada foi anunciada para 2021 a conclusão da duplicação da BR-470, isto é importante?

LF – Muda completamente o nosso ânimo, a maneira de enxergar isso, porque nós todos passamos, usamos a BR-470, talvez não diariamente, mas semanalmente e vemos o caos que ela está, principalmente nesse trecho que liga Navegantes até a BR 101, nosso trecho interno,  o mais complicado, então com essa notícia que esse ano agora eles acabam alguns trechos e que começo do ano que vem terminariam os viadutos, eu acredito que vai contribuir muito para o cenário positivo, para Navegantes crescer.

ONJ – Como o governo municipal pode auxiliar o empresário, quais os problemas que o empreendedor enfrenta em Navegantes?

LF – Eu participei da última audiência que teve na Câmara de Vereadores a respeito da abertura de empresas em Navegantes, a dificuldade realmente existe. Uma semana depois eu fui a um evento e encontrei um contador que não é de Navegantes reclamando e me perguntou – O que está acontecendo com a cidade de vocês que a gente não consegue abrir empresa lá? – Se não consegue fazer abertura de empresa, transfere essas empresas para outras cidades e automaticamente perdemos arrecadação, a arrecadação vai embora. Conversando com contadores aqui de nossa cidade, eles conseguem, sentados em seus escritórios, abrem empresas em Blumenau, Itajaí, Penha, Balneário Camboriú, direto no computador, usando o mesmo sistema que é para abertura de empresa em Navegantes. Já para abertura de empresas em Navegantes, mesmo se deslocando até a prefeitura a pessoa não consegue fazer abertura, não consegue não, consegue, mas o prazo é muito longo, é muita dificuldade enfrentada para algo que deveria ser mais simples. O que é passado é que aqui realmente a prefeitura tem várias ilhas, cada secretaria tem uma coordenação e faz a sua maneira, não havendo interlocução entre os setores, não há comunicação e isso dificulta bastante.

ONJ – Qual a solução?

LF – A questão das empresas, já tem um sistema funcionando nas outras cidades vizinhas, basta fazer o mesmo, parece simples. Acho que falta um pouco de foco, de querer fazer acontecer. O empresário, de modo geral, vive de um município próspero. Todo mundo que coloca uma empresa no município tem algum interesse, ele tem expectativas, então o Poder Público tem que se preocupar com o desenvolvimento do município, em criar oportunidades, criar situações para o município se desenvolver e todos ganham com isso.

ONJ – A Acin comemora 29 anos, qual o futuro da entidade?

LF – A Associação Empresarial de Navegantes tem 29 anos, nós estamos trabalhando forte para mudar um pouco alguns conceitos que acabaram sendo tradicionais em nossa associação. O que nós estamos buscando? Novos modelos de negócios. A Acin é muito tradicional, na maneira como ela realiza as reuniões, como faz os negócios e com relação aos próprios associados. Estamos conversando com algumas empresas de inovação que estão sendo criadas dentro de Navegantes, mas de certa forma elas não têm apoio nenhum, seja do poder público, do próprio meio do associativismo, elas estão desbravando esse novo mercado. Algumas empresas já estão aqui na cidade e se destacam em nível nacional, elas estão aqui, mas não são nem vistas e nem lembradas por navegantinos, mas elas são case de sucesso e essas empresas precisam ensinar para nós como é que a gente deve fazer a nova gestão para sair do modelo tradicional e trazer para o modelo inovador.

ONJ – O que está sendo feito para mudar?

LF – Eu estou chamando essas empresas, conversando com eles e nós vamos criar um núcleo de inovação aqui dentro de Navegantes. Desse núcleo de inovação nós vamos criar oportunidades de negócio. Estamos querendo conectar o tradicional com a inovação para gerar novos negócios. O que a inovação precisa? Trazer inovação. O que o tradicional acrescenta? A experiência que ele tem ajuda no desenvolvimento da inovação, então o nosso objetivo é conectar e mudar os modelos de negócio aqui dentro da Acin. Nós queremos fazer a Acin mais jovem, ela está muito tradicional.

ONJ – Na segunda-feira Navegantes comemora 57 anos, há algo a comemorar?

LF – Navegantes, eu acredito, ela não pode perder a esperança, tem sempre que comemorar, porque a cidade tem muitas atratividades, muito potencial, então o que precisamos é trabalhar mais esses potenciais, precisamos desenvolver e a Acin tem muito a contribuir para esse desenvolvimento. Podemos esperar de Navegantes uma cidade do futuro, nós temos que fazer essa cidade virar o futuro. Nós temos que transformar essa cidade, não podemos sentar nos bancos da cidade e esperar que o futuro aconteça, nós temos que fazer a mudança.

ONJ – Como fazer isto?

LF – Nós como empresários, pessoas do bem, temos que pensar Navegantes 24 horas por dia e transformar esta cidade em um exemplo, precisamos sair deste momento que estamos vivendo em Navegantes, onde de certa forma muitas vezes a população está desacreditada e transformar isto aqui em uma cidade de esperança, em uma cidade do futuro, numa cidade que vai fazer acontecer, que vai mudar os rumos da nossa população e a Associação Empresarial tem que contribuir com isto.

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