Depois de informadas no final da tarde de segunda-feira (24) sobre um cachorro morto na praia do Gravatá, a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fuman) e a Secretaria de Obras deixaram o animal à beira mar por mais de 20 horas. O caso foi resolvido somente quando funcionários da sub-prefeitura do Gravatá realizaram o recolhimento do bicho morto, entre 15h e 16h na terça-feira (25), após o sub-prefeito Jair José Vavassori, o Vavá, ser informado pela Secretaria de Obras e pela reportagem do Jornal O Navegantes da situação e a localização do corpo. Porém, um longo caminho foi percorrido até que o dilema fosse solucionado.

Tudo começou com uma ligação para a Fuman, às 16h50 de segunda, informando que um cachorro morto estava na praia do Gravatá, na altura da rua Manoel Claudino da Costa, próximo ao posto de madeira dos guarda-vidas. A atendente disse que recolhimento de animais mortos não é responsabilidade do órgão ambiental, mas da Secretaria de Obras. Em seguida, foi feito telefonema à pasta para informar a situação. A atendente, num primeiro momento, disse que a função era da Fuman. Depois, ela argumentou que já estava no final do expediente e por isso o defunto seria coletado somente no dia seguinte. De qualquer maneira, ela repassou o telefonema para uma funcionária chamada Viviane, que recebeu as informações.

Descaso

Na manhã de terça-feira, o animal ainda estava no mesmo local. Ao longo do período matutino, nada foi feito e o cão permaneceu na areia, já com a maré levando-o para dentro do mar e o trazendo de volta. Moscas e até um urubu já estavam em cima do animal quando nossa reportagem foi até o local, próximo ao meio dia, para verificar se o cachorro ainda estava lá.

Passou a bola

Após as 13h30, foi feito novo contato com a Secretaria de Obras. Outra funcionária, Sônia, atendeu ao telefonema e disse que repassaria as informações para a sub-prefeitura. Minutos depois, a reportagem fez contato com Vavá, que recebera as informações instantes antes e disse que iria providenciar o recolhimento, como o fez.

Posteriormente, novamente em contato com a Obras, Viviane atendeu e argumentou que esperava que a empresa terceirizada responsável pela limpeza da praia recolhesse o animal na terça pela manhã, caso ninguém da secretaria tivesse coletado-o ainda na segunda.

Precisa melhorar

Vavá relata que ao chegar ao local para o recolhimento do animal, “foi até difícil de encontrar”, pois restavam apenas “algumas partes pequenas dele”.

A bióloga da Fuman, Cláudia Angioletti diz que o órgão cuida apenas de maus-tratos. Na sua visão, contudo, é necessário melhorar o encaminhamento de animais encontrados mortos na cidade, numa parceria com o Departamento de Bem Estar Animal. Atualmente, o animal é recolhido pela Secretaria de Obras, e depois encaminhado para a Recicle.

Visões diferentes

A longa exposição do animal na praia, de acordo com a bióloga, não traz grandes prejuízos ao meio ambiente. “Se fosse uma certa quantidade, um depósito, com certeza causaria contaminação pelo chorume. Mas por ser um animal, não tem grandes problemas”, comentou. Segundo ela, se o cão morto ficou ali, hipoteticamente, por cerca de 24 horas, não daria tempo para entrar em estágio de decomposição. Já o médico veterinário Gustavo Pruner afirma que a putrefação começa em 12 horas após a morte.

Pode haver contágio

A engenheira sanitarista e ambiental Juliana Wendhausen Ramos diz que num primeiro momento o problema seria o mau cheiro causado pela decomposição do animal, mas a situação muda caso o animal tenha morrido por alguma doença transmissível. “Como a gente não sabe do que o cachorro morreu, o ideal é fazer o recolhimento o mais rápido possível. E ali nem é tanto o contato com a areia e o mar, mas alguém passar, mexer, e acabar sendo contaminado”. Gustavo respalda e afirma que dependendo da causa da morte, o cadáver pode ser contagioso sim.

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