É isto mesmo?

O ex-prefeito de Navegantes e pré-candidato às eleições de 2020, Roberto Carlos de Souza, falou em uma entrevista que caso eleito, irá cortar a verba de publicidade para investimento em saúde. Diante das inúmeras denúncias de irregularidades que pesam contra Bob, achei no mínimo inusitada tal declaração porque ele é suspeito, por exemplo, de ter comprado vagas em escola particular, em desacordo com a lei, processo devidamente instaurado pelo Ministério Público e regiamente narrado pela imprensa, então pergunto. Ele irá só cortar a verba dos veículos de comunicação que noticiaram o fato, ou irá parar de jogar o dinheiro público no ralo da corrupção?

Tem mais

Roberto Carlos de Souza foi acusado pelo MP e responde a processo por supostamente ter fraudado contratações no Programa Pró-Jovem Trabalhador. Mais dinheiro público indo parar em negociatas escusas, fato narrado pela imprensa. Apenas irá cortar a verba de quem noticiou ou não mais fará este tipo de contratação ilegal Bob? Ademais, o Ministério Público afirma que o ex-prefeito comprou de modo fraudulento lousas digitais, sendo que o promotor acusa Roberto de ter ido viajar para a Europa com a amásia, bancado pelo fornecedor de tais equipamentos. Fato noticiado pelos veículos de comunicação. Fica a pergunta. Não mais irá comprar equipamentos desta natureza e desta forma, por assim dizer, equivocada, ou simplesmente irá impedir a contratação de quem noticiou tais fatos?

Tal qual lá e cá

Em todo o Brasil, acontece agora o mesmo que ocorreu na Itália, durante a Operação Mãos Limpas. Lá na Europa, os corruptos se voltaram contra a imprensa, a ala moralizadora do Judiciário e assumiram as rédeas na situação política, ou seja, a corrupção saiu-se vitoriosa. Aqui tentam fazer o mesmo e Bob segue este ordenamento da velha política, maquiar e disfarçar a realidade. Roberto é acusado por um delator da Odebrecht, no âmbito da Lava Jato, de ter recebido R$ 500 mil para facilitar a vida da empreiteira no processo licitatório que iria conceder o serviço de captação e distribuição de água e esgoto na cidade. Ganhou o apelido de Rei nas planilhas de propina, segundo o corruptor dedo duro. Então questiono. Caso eleito, Bob não mais irá se meter neste tipo de operação, ou prefere calar a imprensa para fingir que não acontece?

Conjunto da obra

Contra o irmão de Roberto Carlos, Jonas de Souza, que foi secretário de Administração e Obras, pesam graves suspeitas de enriquecimento Ilícito. De uma hora para outra começou a comprar bois e ostentar fortuna talvez não condizente com o salário ao qual fazia jus no paço. Não estou aqui afirmando nada, apenas narrando que há uma pulga atrás da orelha de muitas pessoas por tal situação. Então novamente tomado por uma dúvida que me corrói as entranhas, deixo a pergunta. Jonas e os irmãos Souza continuarão fazendo estripulias com o dinheiro do contribuinte navegantino, como a UPA do Gravatá, por exemplo, ou apenas será cortada a verba da imprensa, pelo visto, dinheiro de pinga diante das obscuridades que cercam o governo Bob Carlos?

O que diz a lei?

Para quase encerrar o assunto, a divulgação dos atos públicos é prevista na Constituição Federal, a qual Bob parece desconhecer, não fosse assim não estaria denunciado na Lava Jato e não seria acusado pelo MP de tantas supostas falcatruas. Não se trata de prerrogativa deste ou daquele administrador, os constituintes previram o noticiar dos atos públicos. Neste periódico onde tenho a honra de assinar espaço opinativo, ora testemunhado por você leitor, vive-se perfeitamente sem qualquer tipo de verba pública, nesta edição não há uma só publicação governamental. Aqui a resiliência é a palavra de ordem e anúncios, seja da iniciativa pública ou do setor privado, acontecem por consequência da audiência, que não é pequena.

Passa a régua

De acordo com o especialista em Direito Administrativo, Neilton Costa, “a ampla publicidade dos atos administrativos, seja pelas formas legais, como, por exemplo, as divulgações dos atos no diário oficial, ou de forma excepcional, em veículos de comunicação de grande circulação, como jornais, devem objetivar para além da difusão dos atos, cumprir uma função pedagógica no sentido de estabelecer uma cultura do acompanhamento dos atos praticados, despertando o cidadão, a partir do conhecimento dos atos, a noção de controle dos mesmos habilitando-o para uma apropriação efetiva de direitos constitucionais, como o da possibilidade de ajuizar ação popular, podendo esta estabelecer formas de controle dos atos administrativos”. Conclusão, quem não tem o que esconder, não tem medo da imprensa.

O ferry boat

Penso que a audiência pública, realizada na Câmara Municipal de Navegantes, que tratou da travessia entre as cidades de Itajaí e Navegantes, proposta pelo deputado estadual Ivan Naatz (PV), tem tudo para ser um marco fundamental nesta luta da população da Foz do Rio Itajaí-Açu, pelo fundamental direito de ir e vir. O encontro acontece no momento em que as forças políticas parecem verdadeiramente imbuídas do desejo de mudar a delicada situação atual. Ressuscitou-se o projeto de construção de uma ponte e foi noticiada a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição, de autoria do deputado Coronel Mocelin (PSL) que caso aprovada, permitirá ao governo do Estado autorizar que outras empresas operem a travessia com balsas, o que poderia melhorar os serviços e baratear os custos.

Será uma luz?

Prefiro manter a ponderação e não ser otimista demais, porque já vimos outras boas ações neste sentido se perderem pelo caminho. Algo estranho acontece e de uma hora para outra, agentes públicos e políticos largam mão desta luta como que em um passe de mágica. Mas sou capaz de afirmar que nunca vi movimentação tão forte, com propostas variadas, busca de alternativas para melhorar o serviço ora ofertado, enfim, chego a sonhar com a solução deste problema, um dos mais graves enfrentados pela população navegantina e itajaiense atualmente.

De tirar o chapéu

Os eventos alusivos ao aniversário de Navegantes transcorreram sem qualquer ocorrência de relevância, fruto de um momento novo que parece viver a equipe capitaneada pelo capilarmente desafortunado prefeito, Emílio Vieira (PSDB). Prova disto foram notas plantadas pela primeira dama da cornualha, a rapariga do rabo torto, em alguns espaços noticiosos. O chefe do Executivo parece ter acordado e dá novo gás a equipe, gerando forte inveja nos desafetos. Precisa correr atrás do tempo perdido e demonstrar força e disposição.

<>SOBE<>

Felicidade é o que descreve a sensação deste colunista, pelas inúmeras mensagens recebidas por não ter sido publicada a coluna na semana passada

<>DESCE<>

Prefeito Volnei Morastoni (MDB), disse em entrevista que brigaria por mudanças no ferry boat, mas não compareceu na audiência que tratou do tema

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